Jesus não fazia sinal sem que houvesse um propósito
específico.
Bodas era uma festa de casamento que durava ao menos
uma semana e era obrigação dos pais da noiva alimentar, dar pousada e cuidar
dos convidados enquanto durasse a festa. E o vinho era a bebida principal na
cultura judaica, era o símbolo da alegria. Então faltar vinho era desonroso.
Esta festa onde se encontrava a mãe de Jesus, Jesus
e também os seus discípulos era de uma família, aparentemente, simples pois não
havia vinho suficiente para a festa toda. E Jesus é comunicado por sua mãe
deste fato. Embora Jesus tenha respondido à sua mãe que seu tempo ainda não
chegara, ela diz aos serventes que eles deveriam fazer tudo o que Jesus
dissesse. Talvez como mãe conhecesse bem o seu filho ao ponto de ter essa
segurança.
A palavra de Maria é sábia pois disse “fazei tudo
quanto Ele vos disser”. Tal expressão não deve ficar sem destaque, afinal é
assim que deve ser o procedimento de todos os homens, obedecer a Palavra de
Jesus, é nisso que consiste a vitória, a solução do problema. Nunca ao
contrário.
O destaque do milagre começa a surgir pois Jesus
transforma água em vinho, ou seja, uma mudança ou transformação química que o
ser humano não tem poder para fazer, transformar um elemento em outro. E o
impressionante é como Jesus manipula os elementos. Não existe nenhum
sensacionalismo, como diz o professor Dr. Paulo Garcia em uma de suas aulas na
UMESP, não há nenhum charme neste milagre. Isso porque Jesus manda apenas
encher com água aquelas talhas de pedra e depois manda os serventes levarem até
o mestre-sala.
Jesus não chama a atenção de ninguém para o momento
do milagre, não manipula a água, nem sequer toca nela. O objetivo é mostrar que
tudo acontece pelo PODER DA SUA PALAVRA. Ele é o Criador de tudo,
portanto, tem poder para mudar, alterar quando quiser e como quiser.
Ele manda encher as talhas de pedra que ali estavam
para a purificação dos judeus. Isso era uma exigência da Lei de Moisés porque
um judeu em contato com um gentio deveria se purificar. Isso era ir até essas
talhas e um serviçal jogaria água em suas mãos que derramada no chão levaria as
impurezas. Nessas talhas cabiam, conforme o texto, em cada uma, duas ou três
metretas – medida grega que equivaliam a 35 ou 40 litros.
Após terem sido cheias, Jesus mandou tirar e levar
ao mestre-sala, o especialista da festa que atestava a qualidade do vinho
servido. Este ao experimentar a água feito vinho chama ao esposo e o questiona
sobre ter deixado o melhor vinho para o final da festa agindo contrário à
normalidade que era deixar o pior para o final.
A explicação do mestre-sala no final do v. 10 era
uma explicação natural para o milagre que havia acontecido, mas afinal o sinal
não era para ele e nem mesmo para os convidados em geral, e sim para os
discípulos de Jesus que viram a Sua Glória e creram Nele (v. 11)
Então os discípulos chegaram à conclusão que aquele
homem não era um homem comum como aparentava ser. Ele tinha o mesmo poder que
tem Deus de transformar os elementos, dessa forma poderiam associá-lo às
profecias a respeito do Messias.
No Primeiro Testamento o Senhor manifestava a Sua
Glória pelos sinais que operava, isso se encontra em vários textos como por
exemplo nos Salmos, então os discípulos vendo Jesus fazendo o mesmo deveriam
enxergar a mesma Glória em Jesus, Glória que estava oculta até então ( Jo 1.14
). A principal lição do texto é mostrar que Jesus é o EMANUEL, o cumprimento
das profecias, O Criador de todas as coisas, ou seja, o próprio Deus.
